No final desta semana, o governo tomou uma atitude bastante suspeita e curiosa para a maioria dos economistas. Logo após a reunião do Comitê de Polícia Monetária (Copom), o Banco Central (BC) decidiu aumentar o crédito disponível na economia brasileira de até R$ 45 bilhões. Na reunião, o BC também decidiu manter o mesmo patamar da taxa básica de juros (Selic) em 11% ao ano.
Contudo, sabemos que a economia brasileira pouco mudou nos últimos dois ou três anos. Desde a crise financeira mundial de 2008, o BC tem tomado as mesmas estratégias para fortalecer com "sustentação" a economia do país. O problema é que o cenário global mudou, mas a equipe econômica. Sendo assim, o resultado é o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) cada vez mais alta (e resistente) e o Produto Interno Bruto (PIB) cada vez mais baixo.
As estratégias do governo não tem dado certo porque insiste em usar a mesma tática velha e ultrapassada. Na crise de 2008, a equipe econômica (Ministério da Fazendo e o Banco Central) tomou diversas medidas para estimular o consumo interno no país. Enquanto países da Europa e dos EUA sofriam com a crise financeira, atingidos em cheio nos seus índices de exportação, o Brasil usou a boa estratégia de liberação de crédito, redução de impostos sob produtos nacionais e criação de incentivos fiscais para fazer a economia interna girar. As medidas deram certo e o país avançou como um foguete, economicamente falando, juntamente com os demais países emergentes, todos sentindo pouco dos efeitos da crise global.
Mas, como muitos economistas alertavam na época, as estratégias foram válidas se fossem tomadas apenas de forma temporária, ou seja, o governo não poderia adotar as mesmas medidas por longo período. Para haver um crescimento sustentável e de longo prazo, o país deve realizar investimentos em seus setores.
Todos sabem que a liberação de créditos para estimular o consumo ajuda, mas não sustenta. Pois chegará num período em que as famílias estarão no limite de seus endividamentos. Dados mais recentes já têm mostrado isso, mas parece que o governo se recusa a observar. E o que é uma economia sustentável?
Países desenvolvidos aprenderam que investir significa recolher bons frutos num futuro próximo e de longo prazo. Uma nação que possui mão de obra operária qualificada mostra que investiu pesado na educação. Uma nação que possui forte competitividade na indústria e no comércio, mostra que investiu pesado na diminuição da burocracia, nos incentivos fiscais e (principalmente) na infraestrutura de suas estradas, portos, aeroportos e ferrovias - o que é uma realidade muito diferente no Brasil.
Constantemente, observamos nossas rodovias esburacadas e perigosas, nossas ferrovias muito limitadas e velhas, nossos portos congestionados e nossos aeroportos de carga ineficientes. Sem falar nos altos e pesados impostos que cada empresa e indústria precisa contribuir para os governos municipais, estaduais e federal, sem usufruir do retorno desses investimentos.
Sabemos que a economia brasileira nesse e no próximo ano (2015) continuarão fracas e com inflação alta. E, certamente, essa última medida do Banco Central não resultará em praticamente nada para melhorar esse cenário. Resta então observar como a economia se comportará nos próximos dias.
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