quinta-feira, 27 de março de 2014

O difícil (fácil) papel da S&P

Standard & Poor's (France Presse)
Nesta semana, a equipe econômica do governo Dilma foi surpreendida com a rápida decisão da agência Standart & Poor's. Para o mercado, não foi nenhuma novidade. Mas, o governo ainda tinha esperanças de reverter o inevitável resultado. O problema é que ele surgiu antes mesmo das eleições de outubro, e que agora deverá ser usado como arma para os adversários na corrida presidencial de 2014. 

O Brasil chegou ao menor nível de grau de investimento para a S&P (BBB-). Junto, estão países como Espanha, Índia, Azerbaijão e Filipinas. Mas, as demais agências de classificação de risco - Moody's e Fitch Ratings - os brasileiros estão na penúltima colocação de grau de investimento: Baa2 e BBB, respectivamente. Diante de todos esses resultados, significa que ainda temos a "fama" de bons pagadores, ou seja, de honrar com as dívidas externas e, por isso, somos um bom atrativo para investimentos estrangeiros: não por muito tempo. 

Se continuarmos errando gradativamente nos investimentos e nas administrações do nosso dinheiro público, o país deverá ser rebaixado novamente pela mesma agência (S&P), atingindo a marca de "grau especulativo", ou seja, na classificação de países que não são bons atrativos para investimentos estrangeiros, além de terem grandes chances de darem "calote", ou seja, não honrarem seus compromissos fiscais - o que é péssimo para qualquer nação. 

Para o governo, este resultado não retrata a realidade brasileira, pois o país possui grandes reservas internacionais e ótimos atrativos de investimentos estrangeiros. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma ainda que  houve precipitação da agência de classificação de risco. Os demais integrantes da base governista criticam duramente a agência, fazendo questão de lembrar dos sucessivos erros das três agências de risco na crise de 2008. 

De fato, as agências perderam grande credibilidade no mundo retratando classificação máxima para os papéis imobiliários "podres" dos Estados Unidos, inclusive do próprio país, que possuía, na época, o rating máximo de "AAA". Mas, é importante lembrar que este mesmo governo brasileiro comemorou a elevação do rating dos brasileiros nesta época, afirmando que este era o resultado do caminho certo que o Brasil estava seguindo.  

Agora, por diversos erros e tropeços, além da falta de transparência do governo, o país recebe rebaixamento no grau de investimento. O mercado reagiu tão calmo diante da notícia que a Bolsa de Valores continuou seguindo por dois dias consecutivos em valorização, enquanto o dólar caía levemente. Significa que o rebaixamento já era certo por todos, somente o governo que não consegue abrir os "olhos" e reagir diante do cenário cada vez mais preocupante. 

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