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| Alexandre Schwartsman: BC considerou ofensivas as declarações na imprensa por parte do economista |
Nos últimos meses, o governo federal nunca apresentou sinais tão claros de desespero e desgaste na atual gestão. São diversas áreas que não têm alcançado metas e resultados satisfatórios e planejados com cautela. Além da economia brasileira, o resultado negativo mais recente foi na área educacional do país. No dia 5 de agosto de 2014, o Ministério da Educação divulgou os resultados do Ideb, após semanas de atraso. O ministro afirma que o período de divulgação ocorreu dentro do prazo aceitável e nega que o resultado poderia atrapalhar ainda mais os resultados das eleições deste ano. Embora o desempenho do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) do Brasil tenha ultrapassado a meta estipulada pelo governo, as demais etapas de ensino não alcançaram o resultado esperado.
No campo econômico, não é de hoje que o mercado - de todos os segmentos - estão insatisfeitos com a atual equipe econômica do governo (Ministério da Fazenda e Banco Central Brasileiro). Como respostas aos números preocupantes de intenções de voto a reeleição, a presidente Dilma Rousseff anunciou que irá trocar a gestão econômica do país no próximo ano, caso eleita. Ela afirma que o próprio ministro Guido Mantega pediu a renúncia, mas muitos economistas acreditam que seja a resposta para as tantas desconfianças nos planejamentos do governo.
É triste observar que o ministro Guido tenha se desgastado quase que totalmente a sua imagem durante os 12 anos à frente da equipe econômica do país. Na gestão do ex-presidente Lula, a autoridade obteve confiança plena do mercado e tornou-se símbolo eficiente da boa gestão na economia brasileira, que naquela época só havia elogios, prosperidade, esperança e confiança. Não se sabe ao certo o que ocorreu com Mantega na gestão de Dilma para que sua iluminação tenha ofuscado.
Hoje, os brasileiros já sentem os efeitos negativos na economia nas rotinas diárias: almoçar fora de casa ficou mas caro, tomar um cafézinho na padaria foi substituído, realizar compras mensais no supermercado tem sido um malabarismo na escolha certa de produtos e marcas mais baratas, realizar uma compra parcelada é sinônimo de juros cada vez mais altos, tentar conseguir um financiamento para um imóvel já não é tarefa fácil...
São inúmeros os exemplos de que nossa economia já não é mais a mesma. O surgimento da "nova classe C brasileira" hoje anda endividada, e as lojas realizam saldos fora de época para tentar atrair os poucos que não estão no vermelho.
Diante desse cenário é comum, num país democrático, que economistas, políticos de oposição, formadores de opinião, jornalistas opinativos e demais cidadãos brasileiros (e estrangeiros) possam opinar, sugerir e criticar a atual gestão... não para o Banco Central. Essa semana, o economista Alexandre Schwartsman, sócio-diretor da Schwartsman Associados e ex-diretor da Área Internacional do Banco Central foi processado pela autoridade monetária por ter criticado o trabalho do BC em tentar combater a inflação, acelerar o ritmo do PIB, combater os altos juros da taxa básica Selic e outros.
Nada de mais! Para o Banco Central, o economista ofendeu os trabalhos do BC. Quem leu a entrevista de Schwartsman no Correio Braziliense (pilar de toda a movimentação jurídica da autoridade monetária) não viu exageros, e sim a simples prática do exercício da liberdade de expressão, concedida a todo cidadão brasileiro. Prova disso que um grupo de empresários, economistas e demais autoridades econômicas estão se movimentando em forma de repúdio contra a atitude do Banco Central.
A Justiça Federal de São Paulo já apresentou liminar favorável para Schawartsman e não acatou a denúncia do próprio Banco Central. O procurador-geral do BC avisou que irá recorrer da decisão, mas o episódio já deixa claro a evidência intolerante do governo em receber críticas por parte de qualquer cidadão.

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